Células tronco em dentes de leite



Poucos sabem que aquele dentinho jogado em cima do telhado ou colocado sob o

travesseiro, pode ser útil para o tratamento de diversas doenças e estudos científicos.


Os dentes de leite possuem em sua polpa células tronco de ótima qualidade.


Podem ser recolhidos na época em que estão para cair (esfoliar)sem causar transtornos à

criança.


São congeladas para serem usadas no tratamento de várias doenças.


A troca dos dentes faz parte do desenvolvimento de toda criança e torna-se um

acontecimento na família quando as primeiras “janelinhas” começam a aparecer no sorriso dos pequenos.


Uma fase importante, sustentada por muitos pais por motivo lúdico, como a história da Fada do Dente, a troca por dinheiro e o dente da sorte. Mas, poucos sabem que aquele dente jogado em cima do telhado ou colocado sob o travesseiro, poderia ser útil para o tratamento de diversas doenças e estudos científicos.


A polpa do dente de leite é uma fonte de células-tronco, que se destaca das outras pela

grande concentração celular e pela facilidade de obtenção. A razão, por ainda ser menos

conhecida, deve-se ao fato de a técnica de retirada ainda ser nova no Brasil, já regulamentada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).


O grande diferencial do dente de leite é a presença de células-tronco do tipo mesenquimal.


Estas células têm a capacidade de, em laboratório, se transformar em uma variedade de

outras células destinadas a reparação de tecidos, dentre os quais, muscular, nervoso,

ósseo, além de cartilagem, pele e outros tecidos epiteliais.


As células-tronco que são encontradas nos dentes de leite são multipotentes e imunotolerantes, ou seja, servem tanto ao doador como para a sua família.


Mas e quanto aos dentes permanentes? Embora eles também possuam células-tronco, os de leite, por serem muito mais jovens, suas células multiplicam-se com maior velocidade.


Seu potencial de multiplicação é tão grande que, apenas um dente já é suficiente para que as células se multipliquem. Já o permanente, ao longo dos anos, tem a quantidade de células reduzidas progressivamente.


E por que a coleta de células-tronco da polpa de dente de leite é tão importante?


Em primeiro lugar, este é um processo não invasivo, pois a queda do dente é natural e ocorre na maioria das crianças entre 5 e 12 anos de idade.


Esta é realizada a partir de um material descartado e que faz parte da troca da dentição.


Por serem células jovens e com ótima qualidade, elas são potencialmente excelentes para o tratamento de doenças degenerativas em um futuro próximo.


Cabe ainda continuar as pesquisas clínicas nesta área, no entanto, resultados promissores estão surgindo.


É importante ressaltar que, para que as células-tronco do dente de leite possam ser

aproveitadas, a retirada deve ser realizada por um dentista.


O material deve ser acondicionado em um kit específico de transporte e enviado imediatamente à clínica para o devido processamento laboratorial.


No entanto, caso o dente venha a cair antes da consulta, é necessário que a família possua o kit de transporte para o acondicionamento correto.


Segundo os conceitos atuais da medicina regenerativa, as células-tronco da polpa de

dente de leite terão cada vez mais destaque.


Estas células, devem ser armazenadas em

laboratórios especializados.


O pesquisador Nelson Foresti explicou em aula dada no Instituto do Sono da UNIFESP, que já há trabalhos em curso sobre a administração de células tronco em autistas com resultados promissores. Melhorando a comunicação, o aprendizado e o sono.


Ele pretende fazer um estudo mais abrangente com pacientes autistas.


Na minha opinião, aqueles pacientes que apresentam casos de doenças neurodegenerativas na família podem se beneficiar, no futuro, destes tipos de terapia.


Porém precisa ficar claro que os pacientes pagarão por anos um serviço que podem nunca utilizar.


E que em caso de utilizarem, seu sucesso não está garantido.

Dra. Silvia Migdal Cohen

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